domingo, julho 27, 2008

XVI

Céu de Abril III

Em um inesperado despertar de sentimentos
Neste apartamento pobre, quente e sufocante
Senti-me pálido pela primeira vez

Cansado das pequenas coisas
(todas elas - por natureza -
desnecessárias e fatigantes)
Vomitei antigos versos de um quase-amor
E como se nada fosse o bastante
Quis de novo o amargo da sua presença

Reeditei meus gestos
Ensaiei cada frase que suspeitei querer dizer
E ao vê-la no mais puro e impiedoso estado de alegria
Senti-me pálido pela segunda vez

A cólera - em resoluta marcha -
Rasgava os já remendados delírios do meu coração
E como nada é o bastante
Deixou-me tê-la uma vez mais
E foi aí que do seu sangue quis provar
Saber por que do estranho sabor

Por um tempo até tentou me enfrentar
Lutou, teve garra
Mas um quarto de mim
Sempre foi mais forte que o dobro dela
E deixou de resistir
Entregou-se...
Já não se ouvia o estridente som da sua voz

Dos seus olhos verdes bebi as lágrimas
E do seu corpo rosa comi a carne
Assim a beijei pálida pela primeira vez

s.o.m.a.

e hoje - no máximo - o Céu de Abril é uma nuvem ... uma nuvenzinha tão comum e tão passageira e tão igual às outras e tão ... tão nuvem!

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